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sábado, 13 de setembro de 2008

cultura jovem e os dilemas do mundo atual

Fundamentos da filosofia para a formação da consciência adolescente: cultura jovem e os dilemas do mundo atual




O tema aqui oferecido sugere que o trabalho a ser desenvolvido deva direcionar-se pela idéia geral de educação. Entendido no âmbito universal, o conceito de educação se realiza na perspectiva da paidéia grega clássica. A formação da consciência adolescente só pode ser objeto de uma reflexão em separado, se depois de problematizado e analisado for devolvida para a totalidade que é uma vida humana. Assim, sob um olhar que não consegue ser nulo de pressupostos, tenta-se uma reflexão crítica de uma parte da totalidade, para mante-la ou transforma-la segundo um ideal concebido. É a procura de um meio para atingir um fim.


Objetivos:
O objetivo deste texto é levar ao jovem uma reflexão do tema juventude na cultura do mundo atual

Justificativas:
O trabalho se justifica pela importância de o próprio jovem tomar a iniciativa pessoal com a conscientização de sua situação no mundo.

Metodologia
Pela própria dimensão de trabalho que o tema exige, diferentes das possibilidades exeqüíveis aqui, o tema é desenvolvido em liberdade mas, tendendo para a complexidade.





Fundamentos da filosofia para a formação da consciência jovem




A faixa etária mais interessada na reflexão desse tema, de forma geral, deveria ser o próprio jovem. É ele que “vive” o período que para quem o analisa com critério metodológico, normalmente pessoas acima da idade que o compreende, passa a ser um objeto. Porém, neste caso em particular, sujeito e objeto se relacionam de forma diferente da maioria das relações de sujeito e objeto de conhecimento. O sujeito já viveu, experienciou, a fase de desenvolvimento humano que agora se torna seu objeto problematizado. Parte da própria experiência retida na memória, enriquece-a com conhecimentos adquiridos pela reflexão humana na história e transformando sua própria visão, projeta-a no seu objeto de reflexão e estabelece uma relação dinâmica com este; relação dialética em que torna possível estabelecer ideais de relações entre o período existencial como objeto de reflexão e a inteireza que é uma vida humana.

Se ao jovem – a todo ser humano em geral - é dado conhecer sobre sua própria condição existencial, não é possível que esse conhecimento não interfira, ou melhor, não se relacione com sua personalidade, entendida como a totalidade da sua realização individual. Segundo Carl G Jung 1875 -1961, formulador da psicologia analítica, fatores inconscientes e conscientes se relacionam como elementos de uma totalidade: a psíquica. Todo elemento psíquico inconsciente tornado consciente, realiza uma nova adaptação na personalidade. Daí a necessidade da Educação, neste caso a formal, mas não se restringindo a ela, como aparelho do Estado para a formação do cidadão, não poder se ausentar da questão existencial como a mais radical do ser humano. O Homem, a partir de sua auto-consciência de ser humano, estabelecerá suas outras dimensões de forma mais conseqüente e responsável, perante seu grupo social, sua espécie e o universo que o abriga.

Cultura jovem é um termo muito amplo e indefinido porque não estabelece ao jovem de que cultura se refere. Para o domínio deste texto, nossa referência é o jovem de nossa cultura ocidental, brasileiro, nos seus aspectos medianos e mais aparentes nos dias atuais.

Se entendermos o termo cultura como o trabalho (e suas necessárias ferramentas) que o homem realiza na prática de sua existência, nos daremos conta de que cada povo tem sua própria forma de realiza-lo. Mas dentro de cada cultura também há divisões e subdivisões e assim, performances e nuances definidas para seus membros, segundo um arranjo interno, com significados objetivos na própria cultura como sistema parcialmente fechado.

O jovem, em seu caminho existencial, já percorreu a primeira fase, sensivelmente distinta de sua vida, em que por impossibilidade natural, não pode ser responsabilizado de forma moral por suas ações. Mas entrou na juventude, justamente por estar adquirindo paulatinamente a capacidade racional e, portanto, moral; crescentemente torna-se apto a assumir responsabilidades. Essa fase, um tanto longa em nossa sociedade, se comparada a culturas menos racionais e cientifizadas, é um período de transformações íntimas intensas, em que se tem a impressão de que a própria vontade, decisão e poder são suficientes para estabelecer a posse e o controle do mundo exterior. As coisas parecem ser o que são em si mesmas e portanto passíveis de apropriação material e espiritual.

Essa característica da juventude, que tende a se arrefecer posteriormente, é essencial para a conquista do mundo material. Essa possibilidade de vivenciar a experiência íntima de poder como um impulso natural, como instinto de conservação, é que nos trouxe desde a pedra lascada até as últimas conquistas tecnológicas, como apropriação do mundo pelo poder. A materialidade histórica dialética não neutraliza o instinto natural de poder pois , este age no interior daquela. Portanto, sem a característica, presente predominantemente no espírito do jovem, o mundo não evoluiria à forma que o conhecemos hoje.




Uma Reflexão Sobre a Cultura Jovem




Uma reflexão sobre a cultura jovem que ficasse na inércia do plano teórico engavetado ou, passiva no recesso mental do pesquisador, seria inútil. O jovem também sempre desconfia de uma onipotente sabedoria que não se materializa. Tem a necessidade do contato sensível para conferir a existência das coisas. Essa desconfiança pode ser dissolvida se a experiência for demonstrada logicamente. Se a materialidade racional da teoria for levada à sua constatação. No nosso caso, a própria experiência atual do jovem, tornada objeto do pesquisador, problematizada sob regras inteligíveis e resultados compreensíveis. O jovem também tem que oferecer seu olhar à sua própria condição e contribuir ativamente para a formulação de sua situação real estabelecida e a ideal, a ser buscada inclusive por ele mesmo. A síntese do trabalho deve ser a ferramenta indispensável e mais apropriada para a formação do jovem.

Os dilemas do mundo atual o são para toda a sociedade. Mas os jovens, aos quais em nossa cultura (na ocidental de forma geral, mas tendendo a se universalizar) não são oferecidos espaços definidos de atuação política e relações de poder suficientes para a transformação material e cultural do sistema, vivem em crise existencial. Os meios econômico-financeiros, políticos, artísticos, jurídicos etc, estão já definidos segundo uma hierarquia de valores que contemplam interesses da minoria que detém o capital e, portanto, o poder de decisão.

A indústria cultural, tendo padronizado o gosto, estabelece sob a força dissimulada na atratividade das imagens, veiculadas pela tecnologia, inicialmente pela televisão, estabelece valores estéticos desprovidos de qualquer relação com as condições existenciais e materiais do indivíduo, tornando-o um consumidor de fetiches sem significados relevantes para a sua existência. O jovem, neste aspecto igualado ao todo social, não aprende a “criar” sentido para a sua vida. Até a espiritualidade, como exercício de relação com o sagrado, passa a ser oferecida como mercadoria, com valor de troca, mediada por pessoas que se encarregam de receber valores monetários.

A alienação do trabalho, do gosto e da espiritualidade, não pode produzir um ser completamente sadio e crítico, consciente de seu espaço interior íntimo e exterior social-político. Produz um ser ausente do mundo e de si mesmo; cada vez mais sujeito à manipulação da vontade e da ação. Um ser que reproduz, potencializa e multiplica o poder alienante que o destrói como um ser de ricas e múltiplas aptidões reunidas num todo complexo e harmônico. Torna-o inutilizado para a sua realização plena. A alienação o destrói como homem.

Uma Educação para o benefício do homem não pode estar a serviço de forças que o destroem. Um Estado comprometido com o poder do Capital ( através do financiamento de campanhas políticas de seus gestores) não pode oferecer uma educação que priorize as necessidades próprias da condição humana e sua identidade, em prejuízo do mercado como veículo da realização do capital. Uma sociedade razoavelmente esclarecida da essência da sua humanidade não pode se submeter à escravização imposta pelo mercado. Vivemos num círculo cada vez mais fechado e realimentado pelo vício. A realimentação é feita pela mass media que também é mercado e, portanto, membro articulado do capital.

Numa situação em que a inconsciência é a doença, a consciência é o remédio. Faz-se necessária a conscientização da humanidade toda, pelo fato de o capitalismo ser hoje uma realidade cada vez mais universal. Mas como no mito da caverna, aquele que quebra os grilhões, escala a parede e contempla a luz real, não o faz sem dores. Ao voltar para compartilhar os benefícios da descoberta, no mínimo é recebido sem o crédito da confiança e pode até mesmo ser morto por insanidade mental. Assim se dá na situação atual. Que receptividade pode ter uma voz que fala o que ninguém quer ouvir? Um movimento que se propõe tamanha tarefa, para que atinja resultados sensíveis deve ser institucionalizada; que abranja interessados das mais diversas origens, reunidos sob uma ideologia comum que respeite a liberdade e a diversidade cultural como questões de fórum íntimo.

Para os objetivos deste texto, que se refere à consciência adolescente. A Educação é o órgão formal mais próximo dessa faixa etária e que tem as pessoas mais passíveis de serem responsabilizadas moralmente pelo ato de educar. Os educadores só podem ser assim denominados se o forem realmente. Os professores têm a responsabilidade de atuar como seres humanos conscientes da implicação de suas personalidades sobre a formação do jovem.

A Educação deve ser o veículo que leva ao jovem as ferramentas providas pelo conhecimento, para que ele atue no mundo objetivo e subjetivo, de forma conseqüente e competente.

O educador deve ser a pessoa que já refletiu suficientemente sobre o processo humano e técnico-educacional e sua própria formação humana e, por isso, se identifica ideologicamente com a função humana, social e política de educar.

Em fim, Educação, Educador e Educando são elementos do mesmo órgão social. Aos dois últimos compete uma relação que transforme a primeira em plasmadora da Paz e da Liberdade Humana plena.

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